sábado, 8 de dezembro de 2012

Porcos: vilões ou vítimas?

Tal como os autores deste blogue, os camaradas suínos ingleses estão no centro das polémicas que importam...

domingo, 25 de novembro de 2012

Será?


         


          Alberto João Jardim anuncia a sua retirada da presidência do governo madeirense em 2015. Depois da "falência" da Região Autónoma e da vitória/derrota nas eleições internas do PSD-Madeira este anuncio peca quer por tardio, quer por só acontecer no "longínquo" ano de 2015. A era de Alberto João já acabou há muito tempo, a sua manutenção só irá prejudicar a Madeira. Após o desenvolvimento da região até aos níveis actuais (às custas de quem?), com um culto de personalidade ao alcance de poucos políticos a nível mundial e depois de tantas polémicas e de tantas vezes ter anunciado a sua retirada, dois simples comentários: Já vai tarde; e será mesmo em 2015?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Four score and seven years ago

Há 149 anos foi proferido um dos mais famosos discursos da história universal. Em Gettysburg, Pennsylvania, Abraham Lincoln consagrou com menos de 300 palavras o esforço daqueles que perecem na luta por uma causa maior. Em plena Guerra Civil dos Estados Unidos, o grande presidente honrou aqueles que caíram para preservar a união e a liberdade da grande nação americana.

Em menos de cinco minutos Lincoln foi capaz de imortalizar o esforço dos seus compatriotas e de inspirar gerações futuras. Um eterno monumento da retórica politica. Abaixo deixo o pequeno texto, com destaques por mim escolhidos, embora todo o texto mereça a maior das atenções.

"Four score and seven years ago our fathers brought forth on this continent a new nation, conceived in liberty, and dedicated to the proposition that all men are created equal.

Now we are engaged in a great civil war, testing whether that nation, or any nation, so conceived and so dedicated, can long endure. We are met on a great battle-field of that war. We have come to dedicate a portion of that field, as a final resting place for those who here gave their lives that that nation might live. It is altogether fitting and proper that we should do this.

But, in a larger sense, we can not dedicate, we can not consecrate, we can not hallow this ground. The brave men, living and dead, who struggled here, have consecrated it, far above our poor power to add or detract. The world will little note, nor long remember what we say here, but it can never forget what they did here. It is for us the living, rather, to be dedicated here to the unfinished work which they who fought here have thus far so nobly advanced. It is rather for us to be here dedicated to the great task remaining before us—that from these honored dead we take increased devotion to that cause for which they gave the last full measure of devotion—that we here highly resolve that these dead shall not have died in vain—that this nation, under God, shall have a new birth of freedom—and that government of the people, by the people, for the people, shall not perish from the earth."

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eleições americanas: rescaldo

Como se previu neste blog (e em todas as sondagens credíveis) Barack Obama foi reeleito para mais 4 anos à frente dos destinos dos Estados Unidos da América. Tive oportunidade de manifestar o meu desejo por este desfecho. A derrota do inconsistente candidato do GOP, Mitt Romney, e consequentemente a não aplicação de muitas das suas propostas, em áreas como a saúde, a economia e as relações externas, são para mim uma razão de satisfação.

Numa altura em que apenas a decisão da Florida não é considerada totalmente fechada (Obama venceu, mas por curta margem), admito o meu erro na projeção do resultado de dois dos cinquenta estados: a Virginia e a referida Florida. Previ que Romney conseguisse reverter as vitórias de Obama em 2004 nestes swing states, embora os tenha apontado como os mais incertos. Aqui fica o reconhecimento ao trabalho fantástico do especialista em sondagens Nate Silver que acertou no desfecho dos 50 estados e de D.C..

Na noite de terça-feira foi ainda a eleições a totalidade da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Na câmara baixa os Republicanos mantiveram a maioria conquistada há dois anos, embora com algumas perdas. Na câmara alta, e contra todas as previsões há meio ano, os Democratas não só mantiveram a sua maioria como a reforçaram. Para este desfecho contribuíram não só um forte leque de candidatos em estados competitivos mas também uma série de erros não forçados do Partido Republicano. A polarização da política norte-americana tem levado à escolha nas eleições primárias, de candidatos com visões distantes da maioria dos cidadãos. Este ano em concreto, os Republicanos perderam dois lugares no Senado, no Missouri e no Indiana, ao rejeitarem candidatos moderados e apresentarem a eleições defensores da proibição do aborto mesmo em caso de violação ou de incesto.

Estes resultados, principalmente num contexto económico extremamente adverso a Obama, tem de lançar uma profunda reflexão no Partido Republicano. Nos últimos anos este partido tem assumido posições cada vez menos cooperantes. O exemplo mais gritante é, a meu ver, a total recusa de aumento de impostos para saldar um défice muito elevado, apesar da baixa carga fiscal do país. O veto às propostas democratas de 1 dólar de aumento de impostos por cada 10 de corte de despesa atesta bem a fuga ao centro. Esta deriva extremista acentuou-se em 2010 com a vitória de muitos candidatos ao Congresso do chamado tea party, cuja principal raison d'être é a diminuição do peso do estado federal.

Posições contrárias aos apoios a estudantes no ensino universitário, a uma reforma das leis de emigração e uma colagem a valores sociais mais conservadores têm de ano para ano isolado os Republicanos em relação aos jovens, e às diversas minorias (negros, hispânicos e asiáticos). O peso crescente deste último grupo representa uma ameaça ao partido mais à direita dos EUA, uma vez que corre o risco de ser esmagado pelas tendências demográficas.

O governo dividido que exigirá cooperação entre Casa Branca e Senado Democratas e Câmara dos Representantes Republicana poderá ser o ponto de partida para uma viragem ao centro por parte do GOP. Até ao final do ano os dois partidos terão de se entender para evitar o fiscal cliff. Esta combinação tóxica de subida de impostos e de cortes na despesa a partir de 1 de Janeiro de 2013 foi acordada entre os dois partidos para se obrigarem a atingir um compromisso. Caso não seja alcançado, a América ver-se-á seguramente numa nova recessão. Apesar de manterem a maioria na câmara baixa os Republicanos dão sinais de saberem ler a situação e ensaiam já uma posição mais moderada. Será um debate interessante de acompanhar nas próximas semanas, até pelo impacto que terá na economia mundial.

Uma última nota para a vitória em vários referendos estaduais de causas sociais que, enquanto liberal, defendo. Falo concretamente da despenalização do consumo de cannabis no Colorado e da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Maine, em Maryland e (aparentemente) em Washington.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eleições americanas: uma previsão

Dentro de poucas horas será conhecido o próximo presidente dos EUA. Na internet abundam previsões e enquanto ávido seguidor da política transatlântica não posso deixar de registar aqui o meu palpite.

Espero (no sentido de desejo e de previsão) a reeleição de Barack Obama para um segundo e último mandato na Casa Branca. Uma vitória seguramente menos folgada que a de há 4 anos. Estados como o Indiana e o Nebraska estão em 2012 totalmente fora do alcance do candidato democrata.

Ao nível dos swing states, aqueles que não figuram consistentemente nem na coluna democrata nem na republicana, antevejo que Mitt Romney consiga conquistar a Carolina do Norte, a Florida e até a Virgínia. Prevejo que os restantes se mantenham fieis a Obama. Não será totalmente surpresa, no entanto, caso a Virginia, a Florida ou o New Hampshire (por esta ordem) se comportem da forma oposta à que aqui antecipo.

Resumindo, prevejo que esta madrugada o mapa eleitoral seja o seguinte:


Se esta previsão se concretizar, Obama somará 290 votos do Colégio Eleitoral, ou seja, 20 acima dos necessários para ser o inquilino do número 1600 da Pennsylvania Avenue, em Washington D.C., até Janeiro de 2017.

Veremos!

domingo, 4 de novembro de 2012

Os Demónios


Li recentemente o romance de Fiódor Dostoiévski "Os Demónios". Admitindo que sou um amante deste autor russo, tenho no entanto de dar um especial destaque a esta obra. Centrando-se nos habitantes de uma pequena cidade de província, Dostoiévski conta-nos a história de um grupo de pretensos revolucionários e as suas acções para acelerar a queda das instituições dominantes na sociedade russa da segunda metade do século XIX.

Os primeiros capítulos são longamente descritivos e a sua importância só mais tarde é totalmente entendida. Mas uma vez dobrada esta fase introdutória a acção acelera e ficamos presos à trama que nos revela a cega vaidade de Iúlia Mikháilovna, à falta de escrúpulos do manipulador Piotr Stepanóvich, mas sobretudo a aparentemente inquebrável indiferença e misantropia do anti-herói Nikolai Vsevolodovitch.

Ao longo da rica intriga, tecida com a habilidade que só um grande mestre possui, Dostoiévski, oferece-nos uma viagem à profundeza da natureza humana. Entre amores e ódios, intensos como apenas o são nos clássicos russos, vêm ao de cima a mesquinhez mas também a generosidade e a possibilidade, até ao último momento, do arrependimento sincero e da redenção. Não menos interessante é o retrato das tensões e contradições que atravessavam a Rússia, a meio caminho entre o feudalismo e a modernidade.

Um contributo excepcionalmente prazeroso para entender como poucas décadas depois o ineficaz czarismo deu lugar ao catastrófico experimentalismo da suposta sociedade científica, governada pelas iluminadas elites soviéticas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aula prática de economia: crowding out


Dado que a riqueza, ao contrário da moeda, não se cria por decisão administrativa, para o Estado investir o sector privado tem de deixar de o fazer. Este "empurrão" do Estado sobre os privados acontece por via dos financiadores, como na notícia acima, ou por via dos impostos.

Conclusão: o investimento e a despesa pública não podem ser analisados separadamente das suas alternativas. Sejam comboios, pontes, ou escolas, temos de perceber que há sempre um custo de oportunidade que tem de ser imputado ao investimento.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O multiplicador do FMI

O FMI assumiu esta semana que errou no cálculo do multiplicador orçamental que serviu de pressuposto aos planos de ajustamento dos países intervencionados na zona euro. Concretamente, a anterior abordagem assumia que por cada euro de corte na despesa pública ou de aumento de impostos (chamemos-lhe consolidação), o PIB cairia 0,5 euros. A organização presidida por Christine Lagarde estima agora que a consolidação orçamental está a ter um impacto entre 0,9 e 1,7 euros, ou seja, o multiplicador é significativamente superior. A mudança deste pressuposto tem impacto na formulação dos planos de ajustamento, mas talvez menor do que aquele que a notícia sugere.

Em primeiro lugar importa esclarecer uma dúvida frequente associada à análise do multiplicador orçamental. O facto de este coeficiente ser maior ou menor do que 1 não é decisivo para saber se a consolidação deve ou não ser feita de todo. O efeito negativo sobre a economia (no curto prazo) existe sempre que o multiplicador é positivo, independentemente de ser acima ou abaixo de 1. Ora, se o efeito da consolidação orçamental é sempre recessivo, fará sentido persistir no combate ao défice um pouco por toda a zona euro?

Para decidir se consolidar faz sentido ou não (ou qualquer outra decisão económica), devemos sempre centrar-nos no custo de oportunidade, isto é, comparar o resultado esperado de uma opção com os resultados esperados das alternativas reais. Assim, importa confrontar as consequências dos cortes de despesa e aumentos de impostos com as consequências da sua ausência. 

A meu ver, é realista afirmar que não atacar os crónicos défices tem um efeito mais nocivo sobre o PIB do que avançar com a consolidação no actual contexto, em troca de um financiamento assegurado a juros mais baixos do que aqueles que o mercado nos disponibiliza. Voltando à análise de alternativas realistas, a única em cima da mesa seria deixar de haver financiamento externo da nossa economia, com um impacto recessivo colossal na produção de riqueza. Mais ainda, a consequência do nosso estrangulamento financeiro seria um mix tóxico de cortes de despesa pública, aumento de impostos e inflação bem mais gravoso do que o actual. O país estaria falido. Punto e basta.

No entanto, a dimensão do multiplicador tem um grande impacto na definição do ritmo ideal do ajustamento. Se o multiplicador é maior isso significa que o efeito recessivo da consolidação orçamental no curto prazo é também maior. Uma consolidação demasiado rápida neste contexto, especialmente quando a procura externa está também deprimida, pode ser self-defeating, provocando um colapso da economia. Portanto, um multiplicador maior sugere a necessidade de um ajustamento mais lento e/ou mais medidas de compensação, como reformas que estimulem o crescimento económico e permitam contrapor em parte o efeito recessivo do corte de despesa/aumento de impostos. Está também amplamente documentado que cortes na despesa têm efeitos menos recessivos do que aumentos de impostos.

Uma outra variável, possivelmente a crucial, é a da política monetária. Esta é, na zona euro, uma prerrogativa exclusiva do Banco Central Europeu. Uma redução do stock de dívida é tanto mais difícil quanto menos expansionista for a política monetária. Entendo aqui uma política expansionista como aquela que resultaria numa taxa de inflação mais elevada do que a actualmente prevista, sendo que o mandato do BCE é claro ao exigir um valor próximo mas abaixo de 2%.

A inflação ajuda no combate à dívida pois é um default encapotado. É uma transferência de riqueza de credores para devedores, uma vez que o valor real da dívida baixa. As receitas do estado (impostos) acompanham a subida de preços mais de perto do que as suas despesas. O caso dos salários é paradigmático: em caso de congelamento há uma redução dos salários em termos reais. A política monetária pode, então, tornar o ajustamento mais rápido. É defensável afirmar que as suas consequências são menos gravosas do que as de mais incumprimento por parte dos países soberanos. Não se pede que se liguem as impressoras sem critério, nem uma meta superior a 2% é automaticamente um sinónimo de regresso ao pesadelo hiperinflacionista da Alemanha de Weimar. No passado foi assim que a Europa e os EUA recuperaram da dívida acumulada nas décadas de 30 e 40 do século XX, lançando uma época dourada de expansão económica.

Nos últimos anos vem ganhando notoriedade uma escola de pensamento económico, comummente designada de market monetarism, que defende que a meta da política monetária deve ser o produto nominal (ou seja, o produto real mais a inflação) e não apenas a variação dos preços. Este é um tópico demasiado complexo para este texto e não sou a pessoa mais habilitada a expor os seus fundamentos. O importante é notar que existe uma sólida teoria por detrás destas posições, não sendo um mero expediente para facilitar a vida aos políticos. Alguns bancos centrais em países desenvolvidos têm já, aliás, avançado cautelosamente neste sentido.

Resumidamente, a nova posição do FMI não vem pôr em causa o imperativo de reduzir o peso de um Estado sobredimensionado e que sufoca a Europa, contribuindo para o declínio económico. Vem, porém, lembrar que não há receitas universais. Abre também o caminho para a reflexão de que há um ingrediente fundamental na cozinha da política económica que não tem sido devidamente utilizado. Sem exageros, é preciso adicionar política monetária q.b. na crise do euro.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Coelho a marcar passos

Com quase duas semanas de atraso, mas com a certeza de não terem faltado análises avisadas e com as quais concordo, venho dissertar sobre as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro no dia 7. Convém recordar que o pano de fundo das novas medidas foi a apresentação de alternativas ao corte dos dois subsídios na função pública, imposto pelo Tribunal Constitucional (embora a decisão deste orgão seja passível de várias interpretações). De forma confusa e mal explicada, Passos Coelho comunicou ao país que irá subir a contribuição dos trabalhadores para Segurança Social em 7 pontos percentuais (de 11% para 18%). O objectivo, tentou explicar, é compensar o subsídio reposto à função pública em 2013 e permitir aliviar a contribuição das empresas (a famigerada TSU) de 23,75% para 18%, com vista à recuperação de alguma competitividade das empresas.

Boas intenções à parte, o que os portugueses viram, objectivamente, foi uma transferência clara de riqueza das famílias para as empresas. Tão irónico ver o "ultra-liberal" ministro das finanças a explicar a criação de um "mecanismo" que impedirá as empresas de canalizar a poupança para os seus accionistas. A consolidação pelo lado da despesa dará, assim, lugar a um pesado aumento de impostos.

Após anos de sacrifícios impostos aos portugueses, que estoicamente têm contribuído para a boa implementação do plano de ajustamento, uma medida de tamanha magnitude tem de ser submetida à mais rigorosa das análises custo-benefício. Os benefícios são, de um ponto de vista académico, discutíveis. A formulação original do conceito de desvalorização fiscal prevê uma descida da TSU combinada com uma subida do IVA. Na prática, desceriam os custos de produção e, com a subida dos preços no mercado interno, as exportações tornavam-se relativamente mais apetecíveis. Recordemos que o actual executivo procedeu à subida do IVA mas abdicou da descida da TSU.

Na proposta actual a procura interna também é desincentivada, mas de uma forma mais agressiva, resultante de uma redução do rendimento disponível das famílias. Não só o consumo é afectado mas muito provavelmente o maior sacrifício será na poupança das famílias. O ganho acrescido de competitividade para as empresas existe, por via da diminuição do custo do trabalho. Mas tenho dúvidas que este ganho nas exportações não seja mais do que esmagado pela repressão forçada do consumo das famílias. Recordemos que as famílias portuguesas já fizeram um ajustamento a todos os níveis notável no seu consumo, com consequências óbvias, por exemplo na taxa de desemprego. Quão confrangedor foi ver Passos Coelhos lamentar o excesso de poupança das famílias. Se é discutível que haja um excesso de poupança , é certo que o discurso catastrofista (mas realista) do governo sobre a bancarrota do país foi uma das suas principais correntes de transmissão do novo paradigma para os lares dos portugueses.

Mas ainda a nível dos custos, há para mim um custo maior e mais significativo, e que torna esta opção do executivo num disparate colossal. A sensação de injustiça sentida pela esmagadora maioria dos portugueses, a quem tudo tem sido pedido e tudo tem dado, quebrou a solidariedade entre cidadãos e governo. Os portugueses aceitaram os sacrifícios, o PS com maior ou menor ruído tem cooperado e a UGT investiu muito do seu capital político num duro acordo na concertação social. Em 15 minutos Passos Coelho desbaratou o maior activo que Portugal apresentou à Europa desde meados do ano passado: a paz social, o desígnio nacional de salvar o país. Este é um custo imensurável mas nem por isso menos tangível.

Mais grave que o erro económico é, pois, o erro político. Diz-nos a imprensa que o primeiro-ministro foi alertado por vários dos membros do governo das consequências sociais e políticas da sua decisão. Trata-se de mais um erro de leitura e de condução políticas, que vem lembrar a falta que faz um coordenador político no governo. Esse lugar deveria ser ocupado por Miguel Relvas, que deixou de ser um para raios para passar a ser um buraco onde o primeiro-ministro tem de despejar constantemente o seu cada vez mais escasso capital político. Paralelamente a marginizalização do PS de António José Seguro, o álibi necessário à deserção socialista, e mesmo do parceiro de coligação levantam sérias questões sobre a apreciação de Passos Coelho. A desmarcação de Paulo Portas desta medida apenas não levanta maior indignação pelo oportunismo pela simples razão que a esmagadora maioria dos militantes do PSD concordam com a opinião do líder do PP.

O coro de indignação contra a descida da TSU, que na verdade é dirigido à subida da contribuição individual, foi o combustível perfeito para uma manifestão de dimensões históricas no passado fim-de-semana. O mar de gente que saiu às ruas está longe de concordar no caminho que deve ser seguido. Pelo contrário, uma metade terá, provavelmente, uma visão diametralmente oposta à da outra, em relação à necessidade de cortar o peso do nosso anafado Estado. Mas todos concordam que o governo virou no sentido errado e há que arrepair caminho o quanto antes. Do seu lado o governo tem a inevitabilidade do ajustamento e a inconsequência da sua oposição. Talvez não seja tarde de mais para recuperar alguma harmonia entre governantes e governados. Persistir num erro é errar duas vezes. Ter a humildade para saber ler as ruas será um acto de inteligência. Vox populi, vox Dei?

domingo, 16 de setembro de 2012

Trainspotting

Amigos,

Hoje poderia utilizar este espaço para uma manifestação de desagrado contra o governo. Ou falar de economia ou de política. Contudo, como isso seria muito pouco original, e como os meus camaradas de Blogue até têm mais jeito para isso do que eu, não o vou fazer. Ainda poderia utilizar este blogue, como as principais figuras do estado utilizam o facebook e deixar aqui uma mensagem para todo o país, todavia venho aqui apenas para vos desejar um bom Domingo e falar-vos de um filme que acabei de assistir para desenjoar. 

"Trainspotting" é um filme de 1996, realizado por um dos cineastas, mais em voga na última década, Danny Boyle. Boyle realizou sucessos tais como: "Quem quer ser bilionário", "127 Horas", "28 dias depois", entre outros. A história de Trainspotting gira em torno das peripécias de quatro amigos escoceses, que se encontram envolvidos nas malhas da droga e do pequeno crime. Um filme engraçado e cómico, mas com uma mensagem dramática muito forte sobre os malefícios das substâncias psicotrópicas, especialmente as mais pesadas, e na dificuldade de sair do estado de dependência destas mesmas substâncias. Uma película do género das da saga "Balas e Bolinhos", simplesmente com mais efeitos especiais e com melhores atores, mas porventura com menos momentos de chalaça.  Se pudesse resumir "Trainspotting" numa citação seria, "O Inferno são os outros" de Jean-Paul Sartre, pois cada uma das personagens seria melhor sem as outras. Fiquem com o trailer:

Obrigado a todos,
Pedro
PS: Se viram ou leram uma mensagem, com uma saudação ou um despedir semelhantes foi pura coincidência...


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A convenção de Charlotte

Former President Bill Clinton bows to President Barack Obama after Clinton spoke at the Democratic National Convention in Charlotte, N.C., on Sept. 5, 2012. Obama briefly walked on stage to greet Clinton following the speech.

(Este texto foi escrito antes da última noite da convenção, em que discursaram Barack Obama e Joe Biden)

Na semana passada dei aqui conta da convenção Republicana. Esta semana, noutro swing state, a Carolina do Norte, é a vez dos Democratas se juntarem para lançar a campanha de reeleição de Barack Obama. Em mais um evento orquestrado ao mais ínfimo pormenor, têm-se sucedidos os discursos de políticos e de cidadãos comuns que beneficiaram das reformas da administração Obama. Se há 4 anos as atenções se focavam na necessidade de união do partido, após a dura luta contra Hillary Clinton, este ano o presidente pode focar-se inteiramente nos eleitores independentes.

A importância desta convenção é seguramente menor para a formação de opinião dos eleitores do que a dos Republicanos. Ao contrário de Mitt Romney, os cidadãos americanos já conhecem bem o candidato Democrata. Ainda assim, a convenção oferece um palco único, com uma cobertura mediática gratuita ímpar, para a campanha de Obama passar a sua mensagem. Uma delas é seguramente o contraste entre a distância e frieza que apontam a Romney, por oposição a Obama, cuja biografia é o próprio sonho americano. Por outro lado, com a economia pouco mais do que estagnada, o presidente tem de explicar que as suas políticas estão a dar resultado, que a recuperação é lenta por culpa da dimensão da crise e que, sobretudo, os seus planos permitirão uma sociedade mais justa do que a preconizada pelos Republicanos, acusados de quererem cortar os impostos para os mais ricos e diminuírem os apoios aos mais carenciados.

Obama discursará esta madrugada, mas destaco dois excelentes discursos. Na primeira noite, Michelle Obama defendeu, de forma emocionada, o carácter do marido e assegurou a audiência de que o homem que elegeram é o mesmo de há 4 anos. Numa mensagem popular (ou populista...), a primeira-dama garantiu que Obama viveu e compreende os problemas das classes mais baixas e da classe média.

Ontem à noite, o antigo presidente Bill Clinton galvanizou os Democratas em Charlotte com um longo mas cativante discurso. Clinton, que teve uma relação difícil com o ex-rival da esposa nos primeiros anos do mandato, foi incansável na defesa do actual inquilino da Casa Branca. Com a autoridade conferida pelo excepcional desempenho económico e orçamental dos Estados Unidos ao longo do seu mandato e pela sua elevada popularidade, Clinton defendeu que Obama salvou a economia do colapso e que a recuperação se começa a fazer sentir. O seu discurso é tanto mais persuasivo quando os Republicanos o têm elogiado repetidamente, num arriscado esforço para estabelecer o contraste entre Obama e o bem sucedido Clinton. Muitos comentadores, incluindo Republicanos, admitem que este discurso pode bem ter garantido a reeleição a Obama.

Penso que o impacto destes discursos são manifestamente sobrevalorizados, mas ainda assim, merecem ser vistos. Apesar da artificialidade dos eventos da política americana, em mais nenhum país a democracia consegue ser tão intensamente vivida. Inspirador.

Abaixo podem encontrar os discursos de Michelle Obama e de Bill Clinton.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Nuestros hermanos, camaradas?

Numa conferência destinada à preparação do novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional, o ministro da defesa, Aguiar Branco, defendeu uma política de defesa comum com Espanha. Esta abordagem teria como principal objectivo a partilha de meios militares, com a consequente redução dos custos do aparato de defesa de ambos os países.

Nos seus quase 900 anos de história, Portugal teve em Espanha o seu mais frequente inimigo e ameaça à independência. Séculos de guerras sucessivas terminaram no século XIX, mas a dimensão de Espanha, com a sua área, população e economia, levantam compreensíveis receios de subalternização, se não mesmo domínio, do nosso país. No início do presente século, a ameaça da economia espanhola que parecia estar a engolir a propriedade nacional estava na mente e no discurso de todos os actores da nossa vida pública. Victor Tavares Morais lembra-nos um exemplo não muito distante de uma situação em que as nossas Forças Armadas foram chamadas a defender o interesse nacional contra as autoridades do país vizinho.

É, no entanto, inegável, que a relação dos dois países na esfera da segurança e da defesa nunca conheceu melhores dias. Ambos os países são membros da NATO e de vários programas de defesa no âmbito da União Europeia. Nos últimos anos foram bem publicitados os esforços comuns no combate ao terrorismo, nomeadamente os separatistas bascos da ETA. Por outro lado, os receios económicos parecem ter sido afastados, cortesia da crise europeia, em especial os seus efeitos na Península Ibérica que vieram relativizar a ascendência da economia espanhola sobre a lusa.

A divisão de prioridades e partilhas de meios entre os diferentes membros da NATO, de forma a maximizar o potencial da aliança como um todo, é uma política consagrada nos últimos anos. Mais concretamente, França e o Reino Unido avançaram com uma aliança militar e nuclear há dois anos. Estes dois países, com um histórico de rivalidade que não fica aquém do das nações ibéricas, perceberam que num mundo em que a Europa está em relativo declínio em quase todos os planos, a fragmentação dos seus recursos é um erro estratégico.

Portugal e Espanha partilham em grande medida as ameaças à sua segurança. Como referiu o ministro, sozinhos não têm margem para serem actores relevantes. Num momento em que cortamos a despesa pública de forma tão dolorosa, uma opção que nos permite gastar menos, mas simultaneamente melhor, numa área tão importante, deve ser equacionada sem preconceitos. Partilho, pois, da sua opinião de que devemos abandonar complexos que, justificadamente, se instalaram na nossa memória colectiva ao longo de séculos de rivalidade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Verdade é sempre verdade


Queria fazer uma pequena reflexão sobre um artigo que levantou alguma polémica nos últimos tempos. Trata-se de um comentário feito por Gina Rinehart, a mulher mais rica do mundo. Basicamente ela apela a que as pessoas que querem enriquecer, ter uma vida melhor, se preocupem mais em trabalhar do que em outras actividades menos produtivas. Desde logo muitos puritanos, defensores dos direitos das pessoas e dos trabalhadores, uniram-se no ataque à senhora. O próprio jornalista que escreveu a notícia denota claramente um tom crítico na forma como aborda a notícia. 

Eu não vejo nas declarações dela qualquer mau julgamento, qualquer erro de lógica que possa ser criticável. A única coisa de que pode ser acusada é de não ter "moral" para falar em trabalho já que herdou da família a sua fortuna. Mas o problema está que nada disso torna as afirmações menos válidas, menos verdadeiras. 

Não é concebível uma sociedade onde as pessoas esperem que as coisas aconteçam, que não queiram se esforçar ou que achem que já trabalham o suficiente. Quando se quer algo luta-se por isso, dá-se o máximo. Se se quer melhorar de vida trabalha-se mais horas, não é um custo é um investimento no futuro. E este pensamento parece que se está a perder com cada vez mais conversas de "vitimização" e de demagogia em volta dos direitos das pessoas, onde radicalismos se sobrepõe ao bom senso e direito à liberdade de expressão. Sim, porque a forma como Gina é criticada não passa de uma acção persecutória e caça às bruxas: é rica, é poderosa e  faz parte da conspiração contra os pobres e oprimidos.
Não vejo onde possam ser lógicas estas afirmações quando o investimento é um dos mais poderosos meios de criação de emprego, de riqueza. Quando o salário mínimo pode limitar seriamente a criação de emprego, ou quando a redução de impostos pode ser vista como forma de aumentar o rendimento disponível das famílias e ao mesmo tempo uma forma de captar poupança para ser posteriormente investida, criando um circulo virtuoso de crescimento económico.

Apenas vejo nestas críticas uma forma demagógica e radical de captar o agrado de parte da população que não percebe que nenhuma destas afirmações são, em si, um qualquer discurso de alguém louco. Mas sim propostas que indicam políticas as quais, vistas no seu conjunto e sendo obviamente bem aplicadas, podem fazer parte de qualquer de crescimento económico de um país. Entristece-me que haja quem se aproveite de afirmações destas para ganhar popularidade e votos. Ou, simplesmente, poder tentar ganhar a credibilidade para as suas ideias que há muito deixaram de ser vistas como sérias alternativas, escudando-se em ataques como este que não passam de meras histórias próprias de uma silly season nos seus últimos dias.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A convenção de Tampa


Termina esta noite em Tampa, na Florida, a convenção Republicana, onde Mitt Romney foi oficialmente nomeado candidato a presidente dos EUA. Há 4 anos, pela mesma altura, nascia uma estrela com uma ascensão tão meteórica quanto a sua queda, Sarah Palin, a candidata a vice-presidente. A escolha deste ano, Paul Ryan, também agrada à ala conservadora do partido, mas não provoca as euforias da antecessora. Depois do flop  que se revelou a ex-governadora do Alasca, a escolha de um experiente (apesar de jovem) congressista, especialista em assuntos orçamentais, é uma escolha compreensível.

Considerando-me um liberal, seria natural que me identificasse mais com as propostas da dupla Romney-Ryan do que com a actual administração de Barack Obama e Joe Biden. No entanto, admito a minha aversão ao extremismo em que o Partido Republicano se tem deixado enredar. A meu ver, o partido mais à direita do sistema bipartidário americano posicionou-se uma abordagem equivocada (se não mesmo desonesta) quanto às causas dos problemas que afligem a super-potência e, consequentemente, apresentam propostas insuficientes e contraproducentes para resolverem muitos dos desafios com que a América se depara no presente e no futuro.

Como resposta ao desproporcionado pendor regulador e intervencionista de Obama, os Republicanos revelam uma total aversão ao papel do Estado na economia, querendo eliminar, por exemplo, a reforma de saúde. Simultaneamente, falham em apresentar propostas que respondam cabalmente às insuficiências do sistema de saúde americano. No combate ao défice, ignoram descaradamente que este não é, longe disso, exclusivamente fruto das políticas "socialistas" do inquilino da Casa Branca. No Congresso, os Republicanos querem manter os cortes nos impostos de todas as classes sociais e recusam terminantemente que um único dólar de impostos seja usado para cobrir o gigantesco buraco das contas públicas. Apesar de Obama falhar, ao contrário de Paul Ryan, em admitir que terá de haver fortes cortes na despesa no médio e longo prazo, a sua abordagem é mais sensata, ao prever uma fatia minoritária da receita na consolidação orçamental. O fanatismo Republicano em que toda a despesa pode e deve ser cortada, excepto se for militar, não colhe junto dos que procuram uma estratégia equilibrada.

Por outro lado, quando entramos no campo das liberdades individuais, os Republicanos esquecem-se da sua aversão à intrusão do Estado na esfera pessoal e apressam-se a apresentar legislação para banir o aborto, mesmo em casos de violação e incesto, as mais elementares medidas de planeamento familiar ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. É verdade que Mitt Romney é mais comedido neste campo, mas dada a sua longa tradição de mudar de posição sempre que muda de campanha, não podemos dar muito valor às suas afirmações em cada momento. Assim, após 4 anos que não foram brilhantes por parte de Barack Obama, admito não ver uma alternativa credível do outro lado do espectro político.

Esta noite discursará Mitt Romney. Para este homem de negócios, o principal trunfo é ser visto como capaz de relançar a economia americana, cujo crescimento tem sido anémico após a crise financeira. Os seus dotes de orador estão longe dos de Obama, mas espera-se que ele consiga mover o foco da campanha, deixando para trás os temas do aborto e das suas declarações de impostos, aos quais tem sido colado graças a uma série de tiros nos pés e à hábil campanha de Obama. Se há 4 anos o primeiro presidente negro era o candidato da esperança, este ano tem sido implacável a gerir uma campanha pela negativa contra o seu opositor.

A minha expectativa para esta noite não é elevada. Dos discursos que vi apenas um me pareceu verdadeiramente motivador para as bases e capaz de cativar os votantes independentes. Curiosamente, foi o de um membro da impopular administração Bush: a ex-secretária de estado Condoleezza Rice. A política externa de Obama tem sido vista positivamente pela generalidade do eleitorado e não está no topo das preocupações dos americanos. No entanto, Rice conseguiu apresentar uma perspectiva diferente e, sobretudo, explicar como um mau desempenho económico poderá conduzir a um declínio do papel dos EUA no mundo. Deixou ainda uma nota pessoal, de como uma criança negra no Sul segregado, pode chegar aonde a levar o seu trabalho e ambição. Fica aqui a intervenção de Condoleezza Rice:

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Hoje privatizo, amanhã concessiono, depois logo se verá


Muito se tem dito e escrito sobre a privatização das estações de rádio e televisão públicas. Desde que o novo governo tomou posse que tem a intenção de avançar para um processo de, no mínimo, reestruturação destes serviços públicos onde se incluiría a privatização de, pelo menos, parte do grupo. Numa recente declaração pública, António Borges, assessor para as privatizações do Estado, avançou a possibilidade de concessionar a RTP1 e fechar a RTP2. Apesar de não haver certezas, esta seria uma hipótese a considerar. É claro que uma imensidão de pessoas  já veio declarar-se horrorizadas por esta possibilidade, tomando-a como uma afronta à cultura e à educação da população portuguesa. Outros aplaudiram a ideia como forma de retirar este encargo do Estado, ou como se diz para aí "gorduras do Estado" (expressão que desde já digo que me desagrada bastante já que, além de ser irritante por natureza, suaviza o verdadeiro problema que é o sobredimensionamento do Estado e as falhas sistemáticas (devido a incompetência e não só) em gerir em condições os dinheiros públicos).
Após este desabafo, e voltando à notícia, tenho a dizer que nem um nem outro lado me parecem correctos. Acho que ambos estão de certa forma cegos pelas suas convicções e querem marcar a sua posição de forma extremada. Na minha visão há lugar para serviço público, sustentado, dimensionado ao nível das posses do estado, das necessidades da população e da própria diversidade cultural necessária à nossa televisão. E isto passa tudo por reduzir o número de estações de televisão estatais e igualmente o número de rádios. O que incluiria a privatização de um dos canais, e as rádios (1 em 3 ou 2 em 3). Passaria por aumentar a liberdade de acesso à publicidade nos serviços que se manteriam públicos e por uma melhor gestão dos activos (pessoal e conteúdos). O que é que isto permitiria?
Bom, permitiria por um lado reduzir custos (menos transferências do Estado e mais receitas via publicidade que suportariam os custos de actividade), a introdução de uma nova entidade privada para aumentar a concorrência entre estações privadas, além de juntar recursos num só canal capaz de ser um misto de RTP2 (mais selectiva nos conteúdos) e RTP1 (capaz de cativar um público mais amplo). Agora fechar um dos canais e privatizar o outro é para mim algo impensável. É necessária uma televisão com conteúdos que possam ser diferentes dos habituais nas televisões privadas (que sendo do agrado do público em geral, não contribuem para a divulgação de diferentes perspectivas e ideias fora do mainstream das televisões generalistas). E este é um dos papeís da televisão pública, ser diferente e propor novas visões mesmo que sejam menos apreciadas. Porque quem não tem acesso a mais que os existentes 4 canais livres e também não acede regularmente à internet e outros meios de informação fica muito limitado no que pode absorver e aprender de diferente fora as habituais novelas e reality shows que sendo formas de entretenimento, também têm o dom de "estupidificar" as pessoas. 
Por tudo isto não é possível que se pense, numa onda de radicalismo, privatizar tudo sem olhar as consequências. Há que pensar primeiro e não deixar de ter em conta o impacto na população. Não devemos também olhar de forma paternalista e assumir k dois canais de televisão e 3 rádios são necessários como se não devesse haver um controlo e racionamento dos recursos públicos.
Mas, como estamos em Portugal, vamos aguardar pelos próximos episódios que esta novela ainda estará para durar.

PS: Uma coisa que me deixa perplexo, apesar de concordar com o serviço público nas condições actuais, é supostamente a Constituição Portuguesa obrigar ao serviço público de televisão, impedindo um processo de completa privatização. Acho que esta é mais uma razão para haver uma revisão constitucional...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

The Twilight Zone

Uma das séries que marcou sem dúvida a Tv Americana, pelo seu arrojado conteúdo e pela sua originalidade, foi a série The Twlight Zone, em português apelidada de Quinta Dimensão. Cada episódio tem o condão de nos transtornar a alma, conseguindo fazer-nos reflectir sobre a nossa condição de seres humanos e nas relações que criamos com as outras pessoas e com o mundo que nos envolve. A distorção de simples variáveis que damos como constantes na nossa vida, poderia resultar na ocorrência de factos retorcidos. É através da distorção dessas variáveis que é criado o ambiente para cada história da Quinta Dimensão. A versão original contou com 5 temporadas e mais de 160 episódios, sendo produzida entre 1959 e 1964. A estreia ocorreu em 2 de Outubro de 1959. 

Este verão tive a oportunidade de visionar alguns episódios e a rever alguns outros que tinha visto na Sic Radical, há uns tempos atrás. Sinceramente, não dei por desperdiçado o meu tempo, no fim de cada episódio, ficava sempre algo a remoer dentro da minha cabecinha. 

O criador da série Rod Serling, escritor e director executivo, deu uma entrevista brilhante antes do lançamento da série. Nesta entrevista a Mike Wallace, além de falar do seu percurso, Serling dá-nos uma visão de um roteirista, relativamente aos meandros da TV. O binómio programas comerciais ou artísticos, ou o poder dos patrocinadores em definir conteúdos são temas abordados e que ainda hoje merecem a nossa reflexão. Caso estejam interessados fica aqui o video: 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Qual o melhor 1º ministro de Portugal?

O Diário Económico tem vindo a realizar votações no seu site de forma a aferir quem, na opinião dos utilizadores, é o melhor comentador televisivo da atualidade, quem foi/é o melhor primeiro-ministro, …

Qual não é o meu espanto quando reparo que em primeiro lugar está José Sócrates. Recordo-me de falar na faculdade que os eleitores são “míopes”, que tendem a negligenciar o passado mais “longínquo” e a valorizar o passado recente na altura de votar.

Mas considerar José Sócrates o melhor primeiro-ministro de Portugal não me parece miopia mas sim cegueira.

Ou isso ou então não passa tudo de uma brincadeira dos utilizadores do site do Diário Económico…