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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Hoje não

Pois João, tu enganaste-te. Eles também. E muitos outros. Nogueira Leite diz que Sócrates terá de beber o cálice até ao fim. Mas no final quem vai beber mesmo o cálice são os outros; as derrotas ou vitórias políticas de Sócrates e dos adversários dizem muito pouco a quem está por baixo.

Cenários: Parece-me fazer pouco sentido que depois disto o PSD deixe passar o orçamento. Logo, vota contra. Parece pouco útil discutir a probabilidade de mudança à esquerda. E agora, ou Portas dá o dito por não dito e vota a favor do PS para dar a maioria, ou então isto não passa mesmo. Terá Portas feito bluff? Dito que não, convencido que as negociações acabariam por tornar o seu voto irrelevante? Ou estará mesmo convicto de que este orçamento é para votar não? Mas mesmo que disso esteja convicto, alguma vez deixou as suas convicções estarem no caminho de uma vitória política de curto prazo?

Não haverá orçamento. Sócrates segue com a sua promessa e demite-se, ou também isso foi bluff? Será que o primeiro-ministro não vai cumprir com a sua palavra? Se não se demitir, alguém o demite? E Cavaco anda onde?

São normalmente estes jogos que me fascinam na política. Mas hoje não. Hoje não.

domingo, 17 de outubro de 2010

Mercado, bicho mau


Na entrevista de Teixeira dos Santos ao Público, o ministro refere a insaciabilidade do mercado de financiamento por medidas de austeridade como factor que pode vir a fazer com que estas medidas ainda não sejam suficientes e outras possam a ser mais necessárias. É muito mau isto. Mas não me refiro a novas medidas, refiro-me mesmo ao que o ministro disse.

Em primeiro lugar, passa a imagem errada ao público de que os mercados financeiros são quase um cão feroz, que a gente tem que passar de fininho pela sua frente a ver se não o acorda. Errado. Os mercados financeiros têm muitas falhas, são frequentados por gente com objectivos pouco recomendáveis, mas no final de tudo, não estão desligados da realidade; portanto, o que lá acontece é bastante dependente do que o governo faz. Portanto, não se percebe porque é que Teixeira dos Santos fala que o mercado pode reagir bem ou mal às medidas; se o governo tiver tomado as que devia, não deveria preocupar-se. E isto leva ao segundo ponto: responsabiliza-se os mercados pela possibilidade de novas medidas futuras, mas não se coloca a hipótese de se ter falhado anteriormente, com a tomada de algumas medidas erradas no passado recente e o adiamento de outras até ao limite do suportável. Mais uma frase de desresponsabilização.

Ao contrário do que se diz por aí, os mercados não estão insaciáveis por austeridade, nem querem sangue do proletariado: apenas garantias de que o Estado português coloca as suas contas num caminho sustentável por muitos anos, para que lhe possa emprestar dinheiro com a confiança de que será reembolsado. Tudo o resto: foguetório e desculpas.

sábado, 16 de outubro de 2010

Meninos na escolinha

Estes atrasos e adiamentos na entrega do Orçamento, pelo segundo ano consecutivo (depois da conferência de imprensa a más horas no ano passado, e para não contar com o problema informático da pen no ano anterior), é muito mau sinal. Faz-me lembrar os trabalhos da escola, acabados em cima do joelho no dia anterior à entrega, para desenrascar qualquer coisa. Só a minha extrema simpatia me permite não dizer que isto é inaceitável, e um terrível sinal de incompetência e/ou irresponsabilidade.