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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mais uma ficha, mais uma volta no carrosel do PCP

Jerónimo de Sousa foi à prateleira, mesmo ao lado do busto do camarada Lenine, sacou da arcana cartilha comunista que orienta o seu partido há décadas, lambeu o dedo e virou mais uma página. Poucos notaram, ainda menos participaram, nas greves gerais da sua central sindical. Toca a apresentar uma moção de censura ao governo. Mais um pouco de tempo de antena para debitar a velha cassete. Entretanto, entramos no Verão. Organizamos mais uma Festa do Avante, porque o PCP também é fixe e ligado à juventude. Lá para Novembro mais uma greve geral.

Assim se vai passando pelas bandas do PCP que, década após década, vai mantendo o seu apoio popular para não trazer qualquer contributo para o progresso do país. Excentricidades de um país que está há demasiado tempo em negação e, verdade seja dita, também merece estes balões de non sense e paródia para se ir entretendo em tempos tão cinzentos.

Única curiosidade e elemento novo nesta história (ainda que sem grande utilidade): quantas cicatrizes novas terá António José Seguro após o debate na sua harmoniosa bancada parlamentar sobre o sentido de voto dos socialistas. Aposto em mais uma abstenção, tão adequada à insipidez da liderança do PS, só cortada pelas pontuais prova de vida dos irredutíveis e delirantes socráticos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O papel de Seguro

Confesso que, há vários anos, não vejo em António José Seguro mais do que um amontoado de frases feitas e tácticos desvios oportunistas da disciplina socrática. Para mim era claro que o seu objectivo era ganhar margem para sacudir a água do capote, após o inevitável naufrágio a que o PS (não o dele, mas o de Sócrates, claro) nos foi conduzindo.

Entrando no domínio da psicanálise, imagino que Seguro pense que criou a imagem daquilo a que os "politólogos" americanos chamam um maverick, um cabeça-quente que segue as suas convicções antes da doutrina partidária. Chegado ao poder, Seguro teve a oportunidade e a obrigação de provar o que vale. Desde a sua eleição, no Verão, que afincada e inutilmente procuro sinais de vida inteligente. Bem sei que não é fácil provar o que se vale quando se tem de liderar um navio cheio da tralha do ancien régime e a única política executável no país é a de seguir as instruções da ajuda externa, a mão a que tivemos de nos agarrar uma vez caídos na fossa.

Agrada-me a serenidade e o "sentido de Estado" de Seguro em relação à inevitabilidade de apoiar as propostas do Governo. Posto isto, Seguro não deu praticamente uma para a caixa no debate do Orçamento. O caos da sua bancada parlamentar deu um toque confrangedor de tragicomédia à situação.

Mas eis que, quando já estava conformado em ver a liderança de Seguro definhar vagarosamente até às próximas eleições (ou até um eventual afundamento do PSD nas sondagens), eis que o líder do PS tirou um coelho da cartola:


I beg your pardon? Os países que não vivem acima das suas possibilidades devem ser castigados? Uma multa? Faz todo o sentido! Taxe-se os países com excedente orçamental! Também taxamos as empresas que dão lucro, as famílias que arrecadam rendimentos. Sugiro uma alternativa: que tal obrigá-los a comprar-nos galos de Barcelos e tapetes de Arraiolos até equilibrarmos as nossas balanças bilaterais? Criaríamos emprego e riqueza em Portugal, ajudava a cobrir o nosso buraco e alegraria os lares dos dois ou três países europeus com superavit orçamental no último ano.

Folgo, pois, em saber que Seguro tem um papel a cumprir. Fazer-nos pensar em que sistema político é este, em que o resultado é produzir como alternativa ao poder actual alguém com tão pouco valor a acrescentar. Não temos alternativa financeira e não temos alternativa política. É seguro dizer que se trata de um sistema perigoso.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Choque liberal

Diz Luís Amado que a economia portuguesa deve ser submetida a "choque liberal", para se ajustar à realidade europeia.

Temos dito isso aqui, vezes sem conta. Enche-me de satisfação ver que os portugueses acordaram para essa realidade e ouvir esta declaração ao cessante MNE, figura que, como já referi, representa para mim uma das poucas luzes do executivo de Sócrates.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

I know it when I see it

Esta campanha está a ser cansativa de acompanhar. E há que congratular José Sócrates por isso. Para Sócrates, todas as propostas da oposição são irresponsáveis. São radicais. São todas calamidades à espera de acontecer ao país. E nenhuma tem nada que se aproveite.

Quando se é assim permanentemente, o mais provável é que se acabe por estar contra coisas bastante razoáveis e provavelmente que em outras alturas os próprios já defenderam. Não é surpreendente que episódios de aparente contradição surjam.

Mas se por um lado, ainda bem que já ficaram para trás os tempos do PS=PSD, também não é nestas circunstâncias que se vê algum debate em condições, porque ele é asfixiado à partida com o vocabulário do costume: basta misturar numa frase radical, neo-liberal e "qualquer coisa" social para o trabalho estar feito. Ser porta-voz do PS não é assim tão difícil.

No fundo, até acho que existe mesmo alguma divisão ideológica entre os dois partidos. Mas o vocabulário usado, principalmente do lado esquerdo, soa muito a falso, artificial. É hipócrita. O que o PSD defende não é nada de extraordinário em relação ao que se passa em muitos outros sítios.

E num jeito de conclusão geral, é quando vemos o PSD ser chamado de radical, neo-ultra-qualquer coisa liberal que vemos como o nosso país continua dominado pelo comunismo e pela herança da revolução. Qualquer coisa que não seja socialista é ostracizada. A nossa direita não é liberal. O CDS não é, claramente, um partido liberal. O PSD tem pela primeira vez um cheirinho a liberal. Mas chamar a estas medidas radicais mostra que os olhos por aqui não vêem o espectro todo. Há muito mais para além do que aqui se encontra.

Chamar ultra liberal ao PSD é o equivalente a apelidar de pornográfica qualquer banal comédia romântica de Hollywood. É de quem nunca viu nada.

domingo, 10 de abril de 2011

Quinze dias

A verdade é que, tal como eu tinha avisado, desde a rejeição do PEC no Parlamento, no dia 23 de Março, e em apenas quinze dias – quinze dias! -, Portugal foi pura e simplesmente arrastado para uma situação financeira terrível. A tal ponto que se viu obrigado a pedir ajuda externa, com consequências muito graves para o nosso País.
José Sócrates, 8 de Abril
Quinze dias. Quem podia imaginar, há quinze dias, que o país acabasse a pedir ajuda externa?

Apanhando a demagogia

José Sócrates, 8 de Abril:
Mas, sobretudo, o PSD propõe que os dinheiros públicos passem a financiar a liberdade de escolha dos colégios privados. (...) O voto no PS significará, portanto, a recusa desta aventura ultraliberal contra a escola pública. O voto no PS será um voto no futuro e na qualidade da escola pública portuguesa!

Outras aventuras super hiper mega ri-liberais:
BIG-STATE, social-democratic Sweden seems an odd place to look for a free-market revolution. Yet that is what is under way in the country's schools. Reforms that came into force in 1994 allow pretty much anyone who satisfies basic standards to open a new school and take in children at the state's expense. The local municipality must pay the school what it would have spent educating each child itself—a sum of SKr48,000-70,000 ($8,000-12,000) a year, depending on the child's age and the school's location. Children must be admitted on a first-come, first-served basis—there must be no religious requirements or entrance exams. Nothing extra can be charged for, but making a profit is fine.
The Swedish Model, The Economist

Delírio



A cada congresso, com qualquer partido, há uma nova oportunidade de rever Orwell e 1984 ao vivo. Vemos o líder, impoluto, inocente, aclamado pelas massas, enquanto declara guerra à Eurásia.

Dificilmente algum superará este congresso do PS. Aqui, o delírio colectivo é levado ao extremo. 13 anos de governação nos últimos 16; os seis últimos de governação com 4 anos e meio de maioria absoluta. Mas está encontrado o culpado. É Emmanuel Goldstein.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mistério

Confesso que não percebo por que razão o ministro Jorge Lacão, insiste em ir contra a opinião do grupo parlamentar do PS e prossegue a sua cruzada pela redução do número de deputados. Dando a mão ao PSD, Lacão empurra o seu partido para uma posição que não duvido que seja impopular no país.
Pessoalmente também estou convencido que reduzir o número de deputados para 180 é facilmente compaginável com o princípio da representação proporcional. Não tenho também dúvidas que 180 legisladores conseguem assegurar sem grande afogo todas as competências da Assembleia da República. Cortar a gordura do estado também passa pelos muitos encostados do hemiciclo de S. Bento. Já aqui reprovei posturas populistas que olham para a democracia como se fosse um luxo caro. Mas esta é uma medida que em nada belisca a democracia e o facto de ser popular e populista não lhe retira (nem acrescenta) valor. Mais ainda, quando estamos a pedir sacrifícios muito pesados aos cidadãos, este tipo de sinais reforçam o laço de solidariedade entre os portugueses e os seus representes e governantes.
Naturalmente a deputada dos Verdes reagiu de forma histriónica, mas isso é um óptimo indicador da bondade da medida.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Próximo post da Câmara Corporativa

Candidato do PS em 2006: 785.355
Candidato do PS em 2011: 829.796
Variação: +5,66%


Candidato do PSD em 2006: 2.773.431
Candidato do PSD em 2011: 2.223.133
Variação: -19,84%

Quem é que é o vencedor da noite afinal?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Hoje não

Pois João, tu enganaste-te. Eles também. E muitos outros. Nogueira Leite diz que Sócrates terá de beber o cálice até ao fim. Mas no final quem vai beber mesmo o cálice são os outros; as derrotas ou vitórias políticas de Sócrates e dos adversários dizem muito pouco a quem está por baixo.

Cenários: Parece-me fazer pouco sentido que depois disto o PSD deixe passar o orçamento. Logo, vota contra. Parece pouco útil discutir a probabilidade de mudança à esquerda. E agora, ou Portas dá o dito por não dito e vota a favor do PS para dar a maioria, ou então isto não passa mesmo. Terá Portas feito bluff? Dito que não, convencido que as negociações acabariam por tornar o seu voto irrelevante? Ou estará mesmo convicto de que este orçamento é para votar não? Mas mesmo que disso esteja convicto, alguma vez deixou as suas convicções estarem no caminho de uma vitória política de curto prazo?

Não haverá orçamento. Sócrates segue com a sua promessa e demite-se, ou também isso foi bluff? Será que o primeiro-ministro não vai cumprir com a sua palavra? Se não se demitir, alguém o demite? E Cavaco anda onde?

São normalmente estes jogos que me fascinam na política. Mas hoje não. Hoje não.

domingo, 17 de outubro de 2010

Mercado, bicho mau


Na entrevista de Teixeira dos Santos ao Público, o ministro refere a insaciabilidade do mercado de financiamento por medidas de austeridade como factor que pode vir a fazer com que estas medidas ainda não sejam suficientes e outras possam a ser mais necessárias. É muito mau isto. Mas não me refiro a novas medidas, refiro-me mesmo ao que o ministro disse.

Em primeiro lugar, passa a imagem errada ao público de que os mercados financeiros são quase um cão feroz, que a gente tem que passar de fininho pela sua frente a ver se não o acorda. Errado. Os mercados financeiros têm muitas falhas, são frequentados por gente com objectivos pouco recomendáveis, mas no final de tudo, não estão desligados da realidade; portanto, o que lá acontece é bastante dependente do que o governo faz. Portanto, não se percebe porque é que Teixeira dos Santos fala que o mercado pode reagir bem ou mal às medidas; se o governo tiver tomado as que devia, não deveria preocupar-se. E isto leva ao segundo ponto: responsabiliza-se os mercados pela possibilidade de novas medidas futuras, mas não se coloca a hipótese de se ter falhado anteriormente, com a tomada de algumas medidas erradas no passado recente e o adiamento de outras até ao limite do suportável. Mais uma frase de desresponsabilização.

Ao contrário do que se diz por aí, os mercados não estão insaciáveis por austeridade, nem querem sangue do proletariado: apenas garantias de que o Estado português coloca as suas contas num caminho sustentável por muitos anos, para que lhe possa emprestar dinheiro com a confiança de que será reembolsado. Tudo o resto: foguetório e desculpas.

sábado, 16 de outubro de 2010

Meninos na escolinha

Estes atrasos e adiamentos na entrega do Orçamento, pelo segundo ano consecutivo (depois da conferência de imprensa a más horas no ano passado, e para não contar com o problema informático da pen no ano anterior), é muito mau sinal. Faz-me lembrar os trabalhos da escola, acabados em cima do joelho no dia anterior à entrega, para desenrascar qualquer coisa. Só a minha extrema simpatia me permite não dizer que isto é inaceitável, e um terrível sinal de incompetência e/ou irresponsabilidade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Feriados móveis

O PS vai iniciar discussões com os restantes partidos com assento parlamentar e na concertação social para que a maioria dos feriados sejam gozados às segundas ou sextas-feiras. O objectivo desta medida é evitar a ocorrência das tão estimadas "pontes", tentando debelar alguma da nossa baixa produtividade. O Partido Socialista pretende também discutir a redução de alguns feriados, civis e religiosos, argumentando que Portugal é um dos países da Europa onde eles existem em maior número.
Estou um pouco céptico quanto ao hipotético aumento de produtividade com a mudança dos feriados para a proximidade do fim-de-semana. Haverá naturalmente algum acréscimo de rendimento pelo facto das semanas serem maiores e as empresas (e outras organizações) não pararem totalmente tantos dias. Mas a verdade é que as pontes são dias de férias dos trabalhadores que serão gozadas noutras datas. Quanto à redução de feriados, o argumento do partido maioritário faz, aos meus olhos, todo o sentido, por mais que me custe perder alguns dias de descanso.
Sobretudo acho que esta iniciativa dá sinais correctos ao país, que deve interiorizar a ideia de que terá de trabalhar mais e melhor para manter (ou perder menos) o nível de vida que goza actualmente.

sábado, 5 de junho de 2010

Um caso de boa moeda

Segundo o i está eminente a saída de Luís Amado do governo. Independentemente da fundamentação do artigo, aquele que é provavelmente o ministro mais competente deste e do anterior executivo, merecia uma palavra solidária do primeiro-ministro, ontem na Assembleia da República. Mesmo que José Sócrates discorde da opinião do ministro Amado quanto à imposição de um tecto constitucional ao défice tinha obrigação de no plenário ter tido uma outra actuação. Assim como já devia ter falado quando o seu Ministro de Estado foi atacado por um dos seus pit bulls, Sérgio Sousa Pinto, com a raiva característica.
Peca por tardio o meu elogio ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, responsável pelos sucessos da presidência portuguesa da União Europeia em 2007, da assinatura do Tratado de Lisboa e que tem conduzido diligentemente a candidatura do nosso país ao Conselho de Segurança da ONU. Tenho sérias dúvidas quanto à diplomacia económica com países como a Venezuela mas assumindo-a como útil, tem sido bem executada.
Não entendo como o mesmo partido que cerra fileiras em torno do deputado carteirista não expressa uma palavra de apoio a um governante tão qualificado e que prestigia não só o PS e o governo como também Portugal.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Nobre candidato

Ainda numa primeira reacção e sem nada ter lido sobre o assunto, parece-me que Fernando Nobre é uma figura respeitada, com um passado limpo e portanto uma figura interessante para a candidatura à Presidência, diferente daquilo que o país está habituado a ver. No entanto, é uma figura ausente da política e será um mistério para a maioria o posicionamento do candidato. Falta também saber quais as suas companhias. No fundo, se aos candidatos que já sabemos estarem na calha eu consigo dizer "por que não", é preciso que Nobre mostre o seu "por que sim".

Fernando Nobre candidata-se à Presidência

O presidente da Assistência Médica Internacional (AMI) irá anunciar a sua candidatura a Belém na próxima sexta-feira. Os "analistas" dizem que se trata da resposta dos Soaristas à candidatura de Manuel Alegre. Promete complicar a decisão de José Sócrates, se ainda for líder na altura de se decidir que candidatura irá apoiar o PS. Apraz-me dizer que o país precisa cada vez mais de assistência internacional, médica ou não.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

De forma alguma...

Mas alguém de bom senso acha que as empresas não investem por causa do prazo de devolução de IVA, da taxa social única e da carga "fiscal elevada"?
João Galamba, economista, recente deputado do PS, aqui
 
Não é que eu ache que um economista tenha de ter necessariamente um ou outro tipo de opinião, mas há mínimos. É este completo desligar da realidade, mesmo por parte de quem tem mais do que obrigação de imaginar que o investimento depende de aspectos como a carga fiscal, que é preocupante. Esperava mesmo um apoiozinho da classe para abrir os olhos um bocadinho a alguma esquerda, que por vezes precisa, mas já vi que não vem dali.