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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Burn them and you shall reach redemption


"I think the Olympic committee should be ashamed of themselves. I think they should be embarrassed. I think they should take all the uniforms, put them in a big pile and burn them and start all over again"

 Comecei com esta frase do Senador democrata Harry Reid porque fiquei pasmado/deliciado com ela. Se por um lado ela encerra uma terrível visao da politica e de como as pessoas podem ser levadas a defender ideias, quase medievais, por questões eleitorais, por outro lado não me canso de rir com esta frase que tem o seu quê de cómica.

 Mas, voltando à história, tudo começou quando na terra da liberdade (farol do mercado livre) surge a noticia que os uniformes da equipa olímpica dos EUA são feitos na China. Logo surgiram vozes discordantes de tal situação. O senador Harry Reid foi dos primeiros a discordar lançando a frase anterior com tal solenidade que me pareceu poder ter regressado atrás no tempo e estar perante um qualquer elemento da inquisição a pregar a queima de livros heréticos em praça pública. 
 Quando li pela primeira vez a noticia num jornal português só ele aparecia a defender esta ideia, mas assim que fui pesquisar a noticia num jornal americano (http://www.dailymail.co.uk/news/article-2172738/Senator-Harry-Reids-outrage-2012-USA-Olympic-uniforms-MADE-IN-CHINA.html) verifiquei que não só ele defendia esta visão, como outros políticos, de todo o espectro politico americano, defendiam o mesmo.  Para os republicanos não se ficarem a rir o republicano ... afirmou que:
 "Today there are 600,000 vacant manufacturing jobs in this country and the Olympic committee is outsourcing the manufacturing of uniforms to China? That is not just outrageous, it's just plain dumb. It is self-defeating." 
  Se a outra afirmação já de si era triste esta ainda me deixa mais preocupado visto estarmos a entrar numa discussão com base em argumentos económicos errados.  A não ser que ele queira tornar os EUA numa nova União Soviética ou Coreia do Norte esta afirmação é pura demagogia e mais uma forma de ganhar votos para as eleições de Novembro. Mas o mais preocupante é que quem não entenda de economia pode ficar a pensar que empregos estão a ser "roubados" pela China o que, tal como no passado, pode levar a tensões e a radicalismos injustificados mas que servem apenas os interesses de alguns grupos e não da população em geral.
No entanto, se, como alguns afirmaram, isto é uma questão de patriotismo eu ainda poderei dar o benefício da dúvida, visto que os americanos são acérrimos defensores da sua América e do que é americano (apesar de economicamente ser irracional). Se for por medo de verem os seus atletas com os fundilhos rotos durante as provas, aí estou de acordo (mas duvido que a Ralph Lauren, responsável pelos uniformes, descurasse esse aspecto e deixasse a sua própria imagem manchada com uma situação dessas). 
A minha visão é que estamos perante uma razão política. Mais propriamente, é uma questão de imagem e luta pelo titulo de maior potencia mundial que, parecendo que não, estas pequenas situações ajudam a manter ou a desgastar. Aliado a isto vem o aproveitamento do patriotismo dos americanos para ganhar mais uns votos que nem democratas nem republicanos deixaram escapar. Cada um mostrando-se o mais indignado possível, acabando com frases, no mínimo hilariantes, como as que transcrevi acima. É caso para dizer que populismo e demagogia nunca são demais nestas alturas em que cada voto conta.     

sábado, 6 de agosto de 2011

Ironia?

António Capucho mantém a linha habitual e vem para os jornais queixar-se da forma como o Passos Coelho não lhe dá valor.

A mais recente lamechice é não ter sido previamente informado de que não seria reconduzido no Conselho de Estado, tendo sabido pelos jornais. Aos meus olhos não é, de facto, a forma mais correcta.

Pobre Passos Coelho. Fez isto para agradar a Capucho. Ou não é Capucho que vê nos jornais o local ideal para se discutir o assento no Conselho de Estado?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Já paravas de meter veneno

http://economico.sapo.pt/noticias/capucho-aconselha-passos-a-desistir-de-nobre_120818.html

Já mais do que uma vez tive de lamentar as declarações deste "senador" do regime. Quanto mais Capucho fala de Nobre mais triste é a exposição do seu ego ferido. Faz Nobre parecer o menor dos males.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Não é Nobre

Fernando Nobre foi convidado por Pedro Passos Coelho para cabeça de lista do PSD em Lisboa, com o objectivo de se tornar candidato do PSD à Presidência da Assembleia da República. Na altura em que foi feito, as expectativas dos dois sobre a concretização desta vontade mútua seriam certamente melhores do que são agora. Passos Coelho enfrenta resistência neste tópico num parceiro que é de coligação para praticamente tudo o resto. No entanto, dizendo-se homem de palavra, apresentará na mesma o nome de Nobre para o cargo. Está correcto.

O que está aqui claramente incorrecto é Fernando Nobre. Temos os constrangimentos que estará certamente a provocar no PSD; a mudança de circunstâncias desde o seu convite; a honradez com que PPC (para já) não voltou atrás na sua palavra; e o facto de que o mais provável, é o PSD começar o seu mandato a levar uma bala com este assunto. Nestas circunstâncias, Fernando Nobre só tem uma coisa a fazer. Agradecer o convite e a disponibilidade mostrada pelo PSD e pelo seu líder, mas recusar criar mais problemas e retirar a sua candidatura à Presidência da AR. A demora em fazê-lo, quando este problema já se antevia e nos últimos dias se desenrola com grande destaque, não abona nada em seu favor. E isto vindo de uma figura que desde Janeiro só tem descido nos olhos dos portugueses.

Breves notas

1. Espero que se confirme que a Justiça e a Administração Interna não serão unidas sob a tutela de um só ministro. É mais saudável para o Estado de Direito que a segurança pública seja separada dos tribunais. Espero que se juntem Agricultura e Ambiente. Saúde mais Segurança Social, não sei se vale a pena.

2. Espero que se confirme que Passos Coelho se vai rodear dos melhores e não de yes-men e yes-women. Os grandes líderes não temem ficar na sombra de grandes cérebros.

3. Bom sinal o sigilo e recato que marcaram as negociações entre PSD e CDS, tudo é mais fácil sem tiros nos pés mas, principalmente, com a máquina de spin de S. Bento já em processo de desmantelação.

4. Divertido ver o PS vítima da chantagem da estabilidade que aplicou ao PSD durante um ano e meio. Agora não podem contestar resultados eleitorais. O sempre elegante Lello ainda tentou.

5. Bem Passos Coelho que não deixa cair Fernando Nobre. Põe a sua palavra em primeiro lugar, arriscando uma possível derrota no primeiro dia da nova legislatura. Claro exagero do CDS e oportunismo do PS na rejeição do fundador da AMI.

6. Aplauso para a insistência em privatizar uma parte da RTP, canal que não acrescenta mais do que os privados. Riso de escárnio ao ouvir João Carlos Silva criticar a decisão. Não nos esquecemos da sua brilhante passagem pela presidência da estação pública e pelo TagusPark. Os boys da old-school são como o Vinho do Porto, cada vez melhores com a idade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A campanha mais honesta de Sócrates

A terceira campanha de José Sócrates é a mais honesta. Pela primeira vez não promete fazer coisas que sabe que não irá fazer. Pela primeira vez não esconde que, quando falta o dinheiro dos contribuintes para torrar, não tem qualquer projecto nem visão de sociedade e economia.
Enfim, Sócrates pela primeira vez não mente sobre o que vai fazer. Mas como os velhos hábitos não morrem, passa os dias a mentir sobre o que os outros se propõem a fazer. Tristemente previsível.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Crash and burn

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=480035

De facto, entre um condutor de autocarros sem experiência e outro que conseguiu conduzir um a toda a velocidade contra uma parede... Se a escolha fosse mesmo só entre esses dois eu saberia bem em qual autocarro arriscava entrar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Achei sinceramente que podia ser um desejável "maverick"

http://www.ionline.pt/mobile/117091-fernando-nobre-ameaca-renunciar-ao-lugar-deputado

A ser verdade esta notícia, então é só mesmo um grande ego. Assim perde a única qualidade que tinha, dado que as suas ideias (e não o trabalho) me são pouco caras.

Poderá este ser o enésimo tiro de PPC nos próprios pés? O Sócrates é um case-study de político com sorte, apesar de estar sempre a atribuir ao azar as consequências da sua incompetência.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Hoje não

Pois João, tu enganaste-te. Eles também. E muitos outros. Nogueira Leite diz que Sócrates terá de beber o cálice até ao fim. Mas no final quem vai beber mesmo o cálice são os outros; as derrotas ou vitórias políticas de Sócrates e dos adversários dizem muito pouco a quem está por baixo.

Cenários: Parece-me fazer pouco sentido que depois disto o PSD deixe passar o orçamento. Logo, vota contra. Parece pouco útil discutir a probabilidade de mudança à esquerda. E agora, ou Portas dá o dito por não dito e vota a favor do PS para dar a maioria, ou então isto não passa mesmo. Terá Portas feito bluff? Dito que não, convencido que as negociações acabariam por tornar o seu voto irrelevante? Ou estará mesmo convicto de que este orçamento é para votar não? Mas mesmo que disso esteja convicto, alguma vez deixou as suas convicções estarem no caminho de uma vitória política de curto prazo?

Não haverá orçamento. Sócrates segue com a sua promessa e demite-se, ou também isso foi bluff? Será que o primeiro-ministro não vai cumprir com a sua palavra? Se não se demitir, alguém o demite? E Cavaco anda onde?

São normalmente estes jogos que me fascinam na política. Mas hoje não. Hoje não.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que é que isso interessa?

O Parlamento vai aprovar hoje um relatório que, sem usar o verbo mentir, chama de mentiroso ao primeiro-ministro. Mais ainda, diz que a mentira ocorreu em plena sessão da Assembleia da República. Bem sei que a crise não permite (?) a realização de eleições, que se deve manter a estabilidade por mais podre que seja, que o PSD quer mais tempo para se preparar. Mas se ao longo dos últimos anos não se tivesse assistido ao forrobodó de poucas vergonhas que sabemos as coisas não poderiam ficar por aqui. Se ao primeiro-ministro ainda restasse um pingo de vergonha, um vestígio de noção de honra, ele não acataria um rótulo de mentiroso. Seria consequente e demitia-se. Se a oposição também se orientasse por mais do que calculismo de curto-prazo responderia a esta não-demissão com uma censura ao governo.
Como vivemos no país do "e daí", tudo segue como se nada se passasse. O parlamento chama mentiroso ao líder do executivo, este assobia para o lado e pronto. Falta pouco para passarmos a fase seguinte, mais comum nas autarquias: "ele rouba mas faz!".

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Passar férias cá dentro

Depois do seu polémico apelo aos portugueses para passarem férias em território nacional, Cavaco Silva e respectiva família irão passar 4 dias de descanso nos Açores.
A escolha não merece qualquer espanto, os encantos do arquipélago são mais do que conhecidos. A localização torna-se ainda mais natural quando nos lembramos que os Açores têm sido o centro dos ataques do PS ao Presidente da República. As hostilidades abriram em 2008 com o estatuto da região e desde então Carlos César, o Alberto João discreto dos Açores, tem sido o mais vocal opositor de Cavaco no PS. A pouco mais de meio ano das eleições presidenciais Cavaco vai espalhar o seu charme (?) a uma região onde tem sido pintado como um vil opositor das autonomias. A esquerda representada na Assembleia Regional dos Açores não perdeu tempo a lembrar o seu rol de críticas ao Presidente.
Esta visita deverá ter consequências nas eleições de Janeiro, alterando, quem sabe, uma mão cheia de votos, em ambos os sentidos.
Cavaco Silva não terá qualquer encontro político na região, ao que se sabe a pedido do neto que temeu pela integridade do seu iPod num possível encontro com a delegação açoriana do PS à Assembleia da República.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A propósito dos corninhos do Ministro Pinho

José Sócrates mostrou hoje que além de bom aluno de engenharia é também bom professor de política, dando provas de ter sido a eminência parda por detrás do bom comportamento do Ministro Manuel Pinho no Parlamento, há uns meses atrás.



Em vez de falar de mansidão eu diria "Senhor Primeiro-Ministro, vejo que de intervenção em intervenção vai dando mais provas de que não tem estatura, educação e competência para o cargo que ocupa".

Não deixa de me causar perplexidade o poder do Louçã para atormentar o Eng. Sócrates. A estudar.

sábado, 10 de abril de 2010

Calças a arder

Tenho um fascínio especial pela parte final da expressão "Liar liar, pants on fire". Crio sempre na minha mente a espectacular e hilariante imagem de alguém a dizer uma mentira de tal forma vergonhosa e escandalosa que as suas calças entrariam em combustão espontânea. Seria digno de ver.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Nobre candidato

Ainda numa primeira reacção e sem nada ter lido sobre o assunto, parece-me que Fernando Nobre é uma figura respeitada, com um passado limpo e portanto uma figura interessante para a candidatura à Presidência, diferente daquilo que o país está habituado a ver. No entanto, é uma figura ausente da política e será um mistério para a maioria o posicionamento do candidato. Falta também saber quais as suas companhias. No fundo, se aos candidatos que já sabemos estarem na calha eu consigo dizer "por que não", é preciso que Nobre mostre o seu "por que sim".

Fernando Nobre candidata-se à Presidência

O presidente da Assistência Médica Internacional (AMI) irá anunciar a sua candidatura a Belém na próxima sexta-feira. Os "analistas" dizem que se trata da resposta dos Soaristas à candidatura de Manuel Alegre. Promete complicar a decisão de José Sócrates, se ainda for líder na altura de se decidir que candidatura irá apoiar o PS. Apraz-me dizer que o país precisa cada vez mais de assistência internacional, médica ou não.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Paradoxo moral ilustrado

A jeito de ilustração do texto anterior, José Sócrates, líder da oposição, comentava a lamentável tentativa do governo de Santana Lopes de fazer de uma voz da TVI um alvo político...

Paradoxo moral

Aborrece-me que se utilize como argumento a falta de "autoridade moral" para se evitar responder a perguntas mais incómodas, como recorrentemente fazem alguns políticos, nomeadamente o primeiro-ministro. Coloca-me na difícil situação de ter vontade de lhes dizer que nenhum deles tem autoridade moral para falar em autoridade moral.