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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Desnorteado


O governo tem sido vítima (ou agente?) de um claríssimo desnorte nas últimas semanas, se não mesmo no último par de meses Podia aqui falar da reacção inusitada do primeiro-ministro, à porta do teatro, ao acórdão do Tribunal Constitucional sobre os cortes de subsídios na função pública. Ou da ainda mais inconcebível resposta à insólita entrevista do presidente deste tribunal. No entanto, o caso mais óbvio e, a meu ver mais sério, é o de Miguel Relvas.

aqui tive oportunidade de dizer o que penso e, mais recentemente, também o Pedro Miguel Ferreira deixou a sugestão de que está na hora de cortar a relva. Há falta de rumo quando um ministro teve relações com o principal arguido do caso das secretas, quando um ministro se envolveu em conversas destemperadas com jornalistas e quando um ministro trouxe de volta algumas das piores memórias do socratismo e de um dos seus principal pilares: o chico-espertismo (melhor ainda, também na sua versão licenciatura por encomenda). A moldura deste desnorte são as idas e voltas ao parlamento sempre coroadas com rectificações às idas anteriores. 

É demasiado penoso ver os que atacaram a vitimização e mistificação Socrática praticá-la com tanto ou mais afinco.Naturalmente que reconheço o dedo da Impresa e da sua luta contra a Ongoing e a privatização da RTP (lutas mais ligadas do que às vezes nos recordamos) neste esforço de investigação. Mas os factos valem por si, e se no seu interesse próprio a Impresa os trouxe à luz do dia, tanto melhor. O sistema ainda vai funcionando.

Mais desnorte ainda revela o primeiro-ministro que se recusa em ver relevância no caso. Num país cansado e traumatizado pelas manobras e incompetência do executivo anterior, o mínimo que se pedia a Passos Coelho era tolerância zero com as jogadas lamacentas do seu adjunto. Ao tacita e expressamente desvalorizar estas questões, o primeiro-ministro torna-se cúmplice, dá um mau exemplo e enlameia todo o governo.

Esta é uma mancha que já é indelével Este governo tem um stock decrescente de capital político e uma tarefa hercúlea pela frente. Gastá-lo com Miguel Relvas não é só um erro político. É defraudar todos os portugueses, em especial os que votaram nesta coligação na convicção que poria a transformação deste país em primeiro lugar.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre o ministro Relvas

Um Governo que pede tanto aos cidadãos, no mínimo dos mínimos tem de ser implacável em relação à transparência.

Não chega ser inocente de relações impróprias com mercenários com aspirações a polvos. É preciso mostrar indignação e total distanciamento de tamanha promiscuidade e desrespeito pelo interesse público. Servir a república é uma responsabilidade e não um direito a ser usado em interesse próprio ou de agendas de outrem.

Senhor primeiro-ministro, deixo-lhe uma imagem:

PS: Não incluí na análise a opereta com o Público. No duelo de palavras, entre o jornal pelo qual já há muito perdi o respeito e o ministro Relvas, escuso-me a tomar partido.

sábado, 18 de junho de 2011

Santos Pereira sobre as Obras Públicas

(...) as relações íntimas entre o nosso Estado e vários grupos económicos são bem conhecidas. Aliás, os mercados financeiros sabem disso perfeitamente, e não é pro acaso que, nos últimos anos, as acções de alguns grupos económicos, com especial preponderância para algumas construtoras, têm flutuado de acordo com as previsões dos resultados eleitorais (subindo quando as sondagens deram a vitória ao partido do governo, e descendo quando as medidas de austeridade foram implementadas e algumas das grandes obras públicas foram adiadas na Primavera de 2010). Pessoalmente, não tenho nada contra as construtoras nacionais, pois não tenho dúvidas de que essas empresas foram fundamentais para a indispensável melhoria das infra-estruturas do país realizada nas últimas décadas. O que é inaceitável é que a política económica do país tenha sido resgatada a favor do fontismo do nosso Estado e dos interesses de determinados grupos económicos com acesso privilegiado ao poder político. E, como é evidente, esta é uma das coisas que têm se de ser urgentemente alteradas no nosso país.
Álvaro Santos Pereira, ministro do novo governo responsável pelas obras públicas no seu livro Portugal na Hora da Verdade, p. 145, lançado em Abril.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ainda a quente

Primeiro-Ministro – Pedro Passos Coelho
O primeiro primeiro-ministro liberal da história de Portugal. Grande expectativa. Se cumprir aquilo a que se propõe ficará na história do país como um libertador. Se falhar, o país ficará irremediavelmente atrasado e corre o risco de cair em ideologias ultrapassadas e inadequadas para enfrentar o mundo integrado em que estamos inseridos.

Ministro de Estado e das Finanças – Vitor Gaspar
Não conheço. Aparentemente um técnico sólido, vai precisar de todo o apoio do PM (e pode não chegar). Algum optimismo pois Passos Coelho não só aceita o rumo que temos de traçar como concorda com ele.

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Paulo Portas
"What you gonna do?" Tinha de ser. Espero que seja uma força no bom sentido.

Ministro da Defesa Nacional – José Pedro Aguiar Branco
Foi de uma impressionante lealdade com Passos Coelho depois de ter perdido a liderança do partido. Tem prestígio e peso político e distingue-se pela aura de honra pessoal. mportante para acalmar os militares numa altura de cortes dolorosos. Passos Coelho segue Lincoln e chama para si o melhor dos seus rivais internos.

Ministro da Administração Interna – Miguel Macedo
Um surpreendente (para mim) líder parlamentar. Será, como todos os outros, titular de uma pasta difícil. Não deve comprometer.

Ministra da Justiça – Paula Teixeira da Cruz
Da ala esquerda do PSD mas acérrima defensora do líder. Parece-me ser uma pessoa de extrema seriedade e sem contemplações com o que considera errada. Tem no entanto uma imagem que às vezes se aproxima da arrogância e uma postura algo quezilenta no debate político. Terá de saber dialogar com o sector, Tem pela frente as reformas mais difíceis e importantes para Portugal e onde os interesses instalados são mais delicados.

Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares – Miguel Relvas
The ultimate insider. Coordenador político do governo e braço-direito de Passos Coelho. A sua influência vai ser decisiva no rumo do executivo. É o Pedro Silva Pereira de Pedro Passos Coelho.

Ministro da Economia e do Emprego – Álvaro Santos Pereira
Académico prestigiado e um dos mais lúcidos analistas da situação nacional. Se se confirmar que o dossier das muitas privatizações ficará na órbita de Carlos Moedas (adjunto do PM), a sua grande batalha será por inverter as ruinosas PPP herdadas.

Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território – Assunção Cristas
Grande expectativa. Ascenção meteórica mas merecida no CDS. Tem pautado pela competência e serenidade. Tenho muita curiosidade para ver.

Ministro da Saúde – Paulo Macedo
A grande surpresa. Fez um "milagre" nos Impostos e vai tentar repeti-lo na Saúde, que bem precisa. Na DGCI deixou saudades aos trabalhadores; não vai ser fácil repetir a proeza na nova área.

Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência – Nuno Crato
Sério, objectivo e sereno. A receita ideal para combater a histeria do senhor de bigode. Maior desafio será criar uma cultura de mérito das Universidades, dando-lhe o dinamismo e a autonomia que necessitam. Alguma redução do número de Universidades e Politécnicos poderá estar em cima da mesa.

Ministro da Solidariedade e da Segurança Social – Pedro Mota Soares
Eficaz líder da bancada parlamentar. Não tenho grande informação que me permita antecipar o mandato. A reforma das leis laborais vai ser o seu prato forte.

Equipa com menos pesos pesados do que o previsto mas com óptimas surpresas. Se compensar com competência a menor experiência e notoriedade será uma boa equipa para termos no leme. Tenho esperança. Nota positiva para PPC.